Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1

Bom seguindo a minha tradição quando gosto muito de um filme coloco aqui algumas besteiras sobre ele, e com Harry Potter não poderia ser diferente, sim estou um pouco atrasado apesar de ter assistido na estréia posterguei bastante para escrever, porque não queria escrever qualquer coisa, e como para muita gente HP foi a série da minha infância, li muitas críticas antes de escrever algo que realmente valesse a pena ler.

Tudo começou em 1999 e eu tinha só dez anos quando conheci a obra de J.K. Rowling, fui até a livraria com minha mãe comprar meu primeiro exemplar dessa série, Harry Potter e a Pedra Filosofal, desde de então o habito da leitura que não fazia parte da minha vida se incorporou assim como a conexão que tive com a saga idealizada em uma viagem de trem por J.K.

O primeiro filme da saga foi lançado em 2001 e a inocência e o fascínio pela magia são dois itens presentes no primeiro ano em Hogwarts. E assim como os personagens a história cresceu ao passar do tempo. E o público também cresceu junto com a história, acompanhou todo o processo do que era bonitinho se transformar obscuro e frio. A alegria desapareceu quase que por completo e a escuridão e tristeza tomaram conta. Ninguém mais está a salvo em lugar algum. É neste clima pesado e de definição que chega aos cinemas a primeira parte de Harry Potter e as Relíquias da Morte.

É redundante dizer que Harry Potter não é mais para crianças. Desde o início, Harry vai caminhando para um caminho trágico, onde amigos e familiares vão morrendo aos poucos e o confronto final com Voldemort era apenas uma questão de tempo. Com a direção de David Yates, no comando da cinesérie desde A Ordem da Fênix, política, revolução e mortes tomaram conta. Yates veio para trazer seriedade e consegue com êxito fazer os melhores filmes da franquia. Isso também pode ser dado pelo trabalho do roteirista Steve Kloves, no seu sexto trabalho na saga. Em Relíquias da Morte – Parte 1, os dois fazem um filme que mantém um ótimo ritmo e tenta ser mais fiel possível ao livro, e isso eles realmente conseguem. Algumas mudanças existem, porém, deve-se lembrar de que é impossível fazer uma tradução literal de uma obra literária para o cinema, mesmo que ela seja dividida em duas partes, como é o caso. Estas mudanças e adições são feitas para dar mais agilidade e não comprometem o resultado final.

A primeira coisa a se destacar é a maturidade com a qual o longa é retratado, tanto no contexto quanto os personagens e pela primeira vez a magia e grandeza da escola de magia de Hogwarts está fora de cena e o filme é todo rodado bem longe dos muros da escola. Nos outros filmes, mesmo com momentos mais sombrios, ainda havia aquele clima de descontração, deixando as coisas mais leves que o ambiente escolar proporcionava. A escola de magia de Hogwarts era a área de conforto de Harry, porém, com a morte de Dumbledore e Voldemort tomando conta do mundo bruxo, não há mais nenhum lugar onde o bruxo possa se sentir seguro. Da mesma forma como as páginas escritas por Rowling retratavam, Yates transpõe essa sensação de insegurança, perdição e medo. O perigo está em todo lugar e qualquer personagem corre risco de morrer no meio da batalha. Não há ninguém em que o trio protagonista possa confiar. Eles estão totalmente sozinhos e ao longo da metragem, percebe-se a tensão, o conflito psicológico e o desespero de não saber qual caminho devem seguir, o que causa atritos entre o próprio trio.

Em quase duas horas e meia de duração, Relíquias da Morte – Parte 1 vai preparando o terreno para a segunda metade. Não faltam cenas de ação e efeitos especiais de primeira, especialmente na fuga dos Sete Potters, e se você o livro e se sentiu ansiosos com a cena, se prepare para ficar o dobro com o filme. O filme se passa longe de Hogwarts e com isso, Yates pôde aproveitar mais os cenários externos. Harry, Ron e Hermione ficam sozinhos em busca das horcruxes e passam por diversas paisagens na Inglaterra, o que deixa a fotografia do filme incrível. Desde florestas, campos extensos, montanhas, lagos e lugares tomados pela neve. Eduardo Serra, estreante na série, faz um belo trabalho, conseguindo dar aquele tom soturno necessário, mas também dá um retoque especial nas belas paisagens, capturadas de forma bela.

Enquanto estão isolados, surge a chance de Daniel Radcliffe, Rupert Grint e Emma Watson exporem seu talento. Radcliffe melhora sua performance incrivelmente. Grint e Watson sempre se mostraram promissores e é em Relíquias da Morte que eles mostram todo o seu valor. Eles proporcionam ótimos momentos em suas atuações. O elenco coadjuvante novamente está bem representado como em toda a série. Uma pena, porém, que eles fiquem pouco tempo em tela, especialmente Alan Rickman como Severo Snape. Os dois últimos representantes a juntar ao grupo são Bill Nighy como Rufus Scrimgeour, o ministro da magia e Rhys Ifans como Xonofílio Lovegood pai da Luna Lovegood.

Para embalar tudo, a trilha sonora composta por Alexandre Desplat, mais um novato na série e que estréia de forma espetacular, também ela já vem com uma bagagem considerável, indicado três vezes para o Oscar, trabalhando recentemente em O Escritor Fantasma, Lua Nova e O Curioso Caso Benjamin Button, Alexandre deixa de lado o tema fantasioso e lúdico de John Williams e substitui por composições mais pontuais e que trazem mais tensão e emoção para a trama.

Relíquias da Morte – Parte 1 é claramente um filme feito para os fãs. Parece impossível assistir a este longa sem ter acompanhado os demais. Por isso, Yates não se importa em dividir o livro em dois. A fita é cheia de informações e não perde o ritmo. Apesar de não ser tão ágil nem exalar adrenalina, o filme se desenrola sem incomodar nem fazer o espectador olhar para o relógio e começar a contar os minutos para o fim da projeção.

David Yates mostra todo o seu talento como diretor e nos entrega um filme cheio de emoções, uma verdadeira montanha russa emocional. Yates faz de Relíquias da Morte – Parte 1 um filme digno e maduro. Uma experiência cinematográfica realizada com êxito, especialmente para os fãs da série. Um verdadeiro épico. Só não consegue ser melhor do que já é porque o melhor do livro está hospedado nas demais páginas que ficaram para Relíquias da Morte – Parte 2. E pode acreditar, se a produção mantiver o nível, o desfecho da saga tem de tudo para fechar com maestria a saga nos cinemas.

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Sobre Gustavo Oliveira

22 anos, Publicitário, Mau-humorado, seco, sarcástico, cáustico, até brincalhão e simpático as vezes. Nem sempre.

Publicado em novembro 30, 2010, em #GeekTime. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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