In + amável

Uma vez lembro que me dei um papel. Fiz-me o criador, mas de palavras. Comecei a criar nomes para lugares e pessoas, pois toda criança gosta de criar seu próprio vocabulário, seus próprios significados, sua própria visão de mundo, e assim o fiz. Só para começar, não me comparo a nenhum desses autores renomados, me comparo a um mero jogador de scrabble (aquele joguinho de montar palavras). Que fique bem claro, faço apenas por diversão, se diferente o fosse não existiria prazer. Voltemos ao assunto principal: a denominação. A experiência pela qual passei é bem divertida. Todos, pelo menos um dia, precisam fazer o que fiz.

A melhor palavra que inventei nesse dia de nominação foi inamável. Agora começam as questões: a que será essa palavra se refere? – Será que ela tem sentido positivo ou negativo? – Acertaram aqueles que pensaram pelo positivo, mas aqueles que levaram pelo lado negativo não estão de todo errado, pois nossa grande palavra começa com um prefixo de negação, fatos lingüísticos.

Primeiro momento: a palavra se fez a partir de uma conversa com uma amiga, estávamos em uma conversa intensa, pois havíamos brigado e estávamos no processo de reconciliação, e no memento mais inesperado a palavra escapou, na hora a palavra parecia já existir, mas acho que ela já estava em meu subconsciente esperando a hora certa para ser usada.

Segundo momento: o choque foi absoluto. Olhava-me com aquela cara de indignação, deve ter levado para o lado negativo, pois o silêncio foi absoluto. Lembro-me de uma pergunta: O que você quer dizer com isso?

Terceiro momento: a minha explicação foi o momento mais complicado. Fácil é a criação, mas no momento em que devemos denominá-la, ou pior, que devemos explicá-la como chegamos àquele resultado. Lá se vão as minhas teorias: a primeira parte da teoria é a mais fácil. Pegamos um adjetivo simples: amável, aquele que pode ser amado. Minha amiga é o ser mais amável da face da terra. Entrou na minha vida pelo acaso, mas aquele acaso fez com que nós nos tornássemos melhores amigos. Depois que meu raciocínio chegou a um veredicto de palavras, pensou num prefixo. Sim, sei que esse prefixo é de negação, mas você precisa saber que no meu contexto ele tem uma ótima conotação.

IN + AMÁVEL = impossível de se não AMAR

Naquele dia me embaracei no meio de meus pensamentos, como sempre faço, afinal quem pensa demais em nada pensa, mas consegui explicar direitinho para minha amiga. Ela não concordou tanto comigo, foi pesquisar livros e professores e logo percebeu que essa palavra não existia porque eu a crie, ela acabou aceitando a minha velha desculpa de sempre, ‘liberdade poética’ existe pra isso.

A falta de existência é uma honra. Imagine você ter uma palavra que possa te adjetivar. Isso não acontece com todos. Nem todos têm um título, pois nem todos são especiais na vida de alguém e esse alguém só se torna especial devido àquelas outras palavras que já foram trocadas antes.

Como vocês viram minha primeira tentativa foi um fracasso. Acho que o meu tempo não me compreende, ou melhor, nem todos que estão ao meu tempo conseguem raciocinar tão longe quanto eu.

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Sobre Gustavo Oliveira

22 anos, Publicitário, Mau-humorado, seco, sarcástico, cáustico, até brincalhão e simpático as vezes. Nem sempre.

Publicado em setembro 14, 2010, em Uncategorized. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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