Cotidiano…

Como qualquer dia comum, fiz minhas coisas como de praxe e fui trabalhar.

Já no ponto de ônibus me deparei com um senhor de rua, já idoso, barba crescida, com a calça já rasgada pelo desgaste onde a mesma parecia ser de um tecido fino, com uma jaqueta visivelmente maior do que seu numero, com o peito a aparecer, bem provável por que a jaqueta já não fechava mais, com suas roupas imundas, e sem sapatos, olhava todos os que passavam ocupados o bastante para perceberem sua “inútil” presença.

Ao seu redor não havia ninguém, como se o medo tomasse conta das pessoas que ali estavam, como se fosse uma espécie de ameaça; ele se sentou no chão frio da calçada, e ali permaneceu, como se apenas aguardasse o dia passar.

Com um saco preto em suas mãos, parecia carregar tudo o que ele tinha, inclusive um saquinho de pipocas, que já estava pela metade, mas que lhe serviu como café da manhã, comeu algumas e guardou-o novamente murmurando que iria guardar o que sobrou para mais tarde.

Parecia que seus olhos acompanhavam todos que passavam, e mesmo assim, ninguém lhe olhou. Enquanto as pessoas estavam preocupadas com seus horários e seus problemas, ele estava lá, sentado, vendo o dia nascer.

Bom, foi exatamente nessa hora, com aquele exato desconhecido, que lembrei da lição que achei que tivesse aprendido quando criança:

O mundo não é só meu, e meus problemas não são piores do que os problemas dos outros, estamos aqui para nos melhorarmos a cada dia, e se eu não desse a importância absurda e desnecessária às minhas coisas cotidianas, talvez eu percebesse as pessoas que estão ao meu redor, e que só tenho a agradecer, por tudo.

E acho mesmo que naquele saco preto que ele carregava, havia todas as coisas preciosas que ele tinha, e com certeza, muito mais esperanças e sonhos do que eu pudesse imaginar, as vezes, até mesmo, mais do que as pessoas que estavam ali pudessem ter…

E ele pode até ter tudo àquilo do que chamamos de “nada a perder”, mas eu garanto que uma pessoa que não tem nada a perder me fez lembrar do valor das coisas que eu tenho hoje.

(Texto por Ana Carolina Costa)

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Sobre Gustavo Oliveira

22 anos, Publicitário, Mau-humorado, seco, sarcástico, cáustico, até brincalhão e simpático as vezes. Nem sempre.

Publicado em agosto 3, 2010, em #postavc, Uncategorized. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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