Uma gambiarra…

Gambiarra, em primeira estância a palavra não passa muita confiança ao receptor, já que a muito carrega um peso pejorativo, como algo incorreto ou mal feito, uma gambiarra!

A gambiarra também aparece como a arte de fazer, ou seria do refazer com estilo? Ou até mesmo a re-existência do faça-você-mesmo sem todo o ferramental necessário, sem os argumentos apropriados, mas com o conhecimento acumulado pelas gerações e a experiência dos erros que acompanham a vontade de tentar outra vez, ou só um desejo de ser o inventor do próprio mundo pelo menos uma vez. Fazer para modificar o mundo ou simplesmente redecorá-lo. Um contraponto ao empreendedor selvagem. Fazer para transformar aquilo que era inútil num movimento ascendente de criatividade e utilidade até que a imaginação crie uma nova forma e uma nova utilidade sempre dando o gostinho do novo. A inovação está presente no DNA pós-moderno, no pós-humano. Numa vida gasosa. Abrimos aqui parênteses para fazer uma crítica ao Bauman (eu e minhas aulas de sociedade e cultura mais uma vez) com suas diversas modernidades líquidas, sua modernidade que flui através dos dedos, o intangível tão tangível que mal podemos acompanhar. O líquido se acomoda ao recipiente. Seja um copo, um vaso ou apenas a terra contra a qual o oceano se deixa existir. O gasoso flui no espaço, no tempo e no ser em existência. Não só líquida ou gasosa, a pós-modernidade é a multiplicidade de estados que se misturam, na confluência da Ipiranga com a São João, na co-existência de todos os níveis de desenvolvimento econômico e tecnológico. Uma gambiarra que remixa, modifica, transforma e se mistura. Traço comum da inventividade cotidiana, do improviso, da descoberta espontânea, da transformação de realidades a partir da multiplicidade de usos. O mais trivial dos objetos, lotado de usos potenciais: na solução de problemas, no ornamento improvisado, na reinvenção pura e simples. O potencial de desvio e reinterpretação em cada uso. A inovação tática, acontecendo no dia a dia, em toda parte.
Gambiarra é um termo em português que no dicionário denota uma extensão elétrica, mas ali no mundo real adotou (naturalmente?) outro significado ao qual só podemos tentar aproximações: improviso, solução temporária, bricolage, desconstrução, precariedade, a muitos que digam diversão, diversão pode parecer um tanto descolado do sentido a primeiro impacto, mas você vai ver como isso é possível.

A gambiarra desloca a finalidade desse e desse objeto, soluciona as coisas por algum tempo, e assim vai levando até que torne possível colocar tudo no eixo, mas que graça teria ter tudo no eixo, a realidade é que necessitamos de uma boa gambiarra para dar graça a vida, torna-lá mais leve.

A pouco mais de dois anos uma gambiarra tornou minha vida menos despretensiosa, me fazendo esquecer nem que seja por apenas seis horas de um dia todos os problemas da vida, os deveres, obrigações, erros, me lembrando apenas que a vida tem mais cores do que conseguimos enxergar, tem mais graça do que podemos imaginar.

Quem diria quem uma gambiarra me faria esquecer do mundo caótico de uma megalópole chamada São Paulo, que em um cantinho haveria um furo no tempo espaço que lhe permita se despir das vergonhas e preconceitos.

Esse é o tipo de gambiarra que aconselho a todos fazerem, ou incluírem em suas vidas, ‘Gambiarra a Festa’, um lugar que te aceita com todas as esquisitices, onde você encontra na pista pessoas se acabando de dançar e acham isso normal.

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Sobre Gustavo Oliveira

22 anos, Publicitário, Mau-humorado, seco, sarcástico, cáustico, até brincalhão e simpático as vezes. Nem sempre.

Publicado em julho 4, 2010, em Uncategorized. Adicione o link aos favoritos. 3 Comentários.

  1. Antônio Adriano

    Seu melhor post EVER, por experiência própria rsrs Dia 8 \o/

  2. “onde você encontra na pista pessoas se acabando de dançar e acham isso normal.” – com toda certeza!

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