Um longa vida esquecida pelo tempo…

Ontem, assistindo a seriado na TV, deparei-me com uma grande tristeza. As cenas que vi me fizeram  pensar. Pensava tanto que acabei até me esquecendo do que estava assistindo, e fiquei pensando naquilo que havia surgido, os devaneios e hipóteses que nossa mente cria.

A cena se tratava de um velinho, já com os cabelos brancos, olhos inocentes de crianças e aquele sorriso adorável, porém enigmático recebendo a visita de seu neto e uma acompanhante. Ele se emociona tanto com a chegada dos dois que acaba desmanchando aquele sorriso dando espaço para uma bela gargalhada de criança. Durante esta visita, o velinho conta para os jovens algumas lembranças da simples vida que ele teve em sua juventude, mas ao final da noite descobrimos que aquele humilde senhor sofre de Alzheimer, e tudo que ele contará para seu neto não passava de histórias perdidas em sua memória que ao se deitar se apagam e mudam de figura.

Pense em como a vida pode ser bela, mas pense também como ela pode ser esquecida numa pequena fração de segundos. Imagine todas aquelas conquistas que você batalhou por toda a sua vida sendo esquecidas. Lembre-se que poderia ser pior, você poderia esquecer aquele que já amou, poderia olhar para o seu rosto e não lembrar que vocês dividiram uma longa caminhada, um ao lado do outro, nos momentos de conquistas e nos momentos de perdas. Poderia ser ainda pior, poderia olhar aqueles que descenderam e não os reconhecer. O estágio que considero como o pior de todos é a perda de identidade, aquele em que se olha no espelho e não reconhece a pessoa que está do outro lado. Não saber como tudo aconteceu para que se chegasse até ali.

Depois de tudo penso: devemos aproveitar as oportunidades logo que elas surgirem e vivê-las intensamente. Devemos também dividi-la com todos aqueles que amamos, pois se no futuro esquecermo-nos de alguns fatos de nossa vida, sempre haverá alguém para nos lembrar. Essa pessoa não sentirá pena da doença e nem da pessoa que a carrega, ela sentirá uma alegria enorme em recontar tudo Àquilo de que se lembra. Pois a cada momento que a história é recontada surgem novas caras, novos olhares como uma criança que entra no mundo da fantasia e se perde nas palavras que são contadas pouco a pouco.

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Sobre Gustavo Oliveira

22 anos, Publicitário, Mau-humorado, seco, sarcástico, cáustico, até brincalhão e simpático as vezes. Nem sempre.

Publicado em junho 27, 2010, em Uncategorized. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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